sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Teoria do Caos

Antes

[Lena e Felipe]

A obscura penumbra cobria parte de seu corpo. Era mais um dia, mais uma tarde e logo seria mais uma noite daquelas em que seu único desejo era sumir. Nada mais nada menos que um sentimento de angustia afundava-se em seu peito e a enfurecia. Queria desaparecer, o vazio estava grande demais. E Lena sabia que essa noite passada acordada e pensando como resolveria todos seus problemas que estavam deixando louca deixariam grandes marcas abaixo de seus olhos, grandes olheiras pretas que, de uma forma boba, incomodava.

Já em outras ocasiões, Felipe se sentia bem consigo mesmo e considerava sua noite uma das melhores que havia tido. Tinha conseguido ser convidado para festa que era tão indesejado sendo de quem era uma questão justificável (sua ex, claro). Depois do que havia acontecido entre eles, seria cara de pau dela convidá-lo, mas ele, por uma noite, permitiu-se curtir o que a vida estava lhe proporcionando e aceitou o convite forçado.


[Festa]

Mal tinha chegado à festa, e depois de ter feito um trato com seu amigo que aquela noite seria “a noite das noites”, pois ele realmente precisava se divertir e sair daquela depressão de só quem viu sua namorada com o cara mais depreciativo da face da terra fazendo sexo na cama onde eles costumavam fazer tinha, e ao ter posto os pés no seguinte lugar uma nostalgia de tudo, bons, ruins, inclusive aquela, voltaram.

“Lembra-se do trato cara, aquela vadia não merece sua depressão”, ele lembrou-se e repetiu a si mesmo ‘essa vadia não merece minha depressão’ e riu. Hora de encher a cara, se divertir e dormir com alguém.

E foi isso o que aconteceu. Depois de ter enchido a cara, fumado baseados e ter beijado, pelo menos, cinco garotas, ele havia escolhido a sortuda da noite.

Felipe não era feio, nem um pouco feio. Era o tipo de cara ideal para todos os tipos de mulheres, o tipo de cara pelo qual as mulheres se apaixonavam a primeira vista. Sabiam disso, afinal, seus olhos azuis esverdeados (o que era pouco comum) deixavam as mulheres extasiadas, possuía cabelos loiros desgrenhados, do tipo americano de ser, e pele bronzeada. Lola sabia disso, todas as mulheres sabiam que Felipe era o cara gato da festa e também sabiam que ele só queria curtir depois do acontecimento não-mencionável.


[Lena não quer ir a festa]

Lena já era do tipo careta, como Francis, sua melhor amiga, costumava chamar.

“Ah Lena, para vai. Nós vamos para esta festa. Vai ser A F-E-S-T-A.”, Lena não queria ir. Não mesmo. Sabia justo quem estava fazendo a festa e a ideia de estar submissa na casa de você-sabe-quem fazia seu estômago repelir toda pizza daquela noite.

“Francis, você sabe que é a festa da Lindsay né?”, Lena fazia bico para que Francis pudesse, de algum jeito, amolecer seu coração e não querer ir. “E você sabe que não fomos convidadas né?”

“Lena, a menina convidou a escola inteira, você acha que ela irá notar justamente nós duas lá?”, Lena sabe que não e Lena também não sabia o motivo que odiava tanto a Lindsay, mas odiava. Isso ela podia ter certeza.

E ela foi. Francis e ela se arrumaram basicamente com suas roupas cotidianas e perceberam que eram mesmas cotidianas quando colocaram os pés dentro do enorme sobrado e todos os olhares as fuzilaram (pelo menos foi como Lena se sentiu).

“Eu disse que foi uma má ideia Francis. Vamos embora enquanto há chance? Por favor...”, e ela foi ignorada, novamente, pela amiga. “Tem bebidas. Venha!”, Francis a puxou para o lugar onde todos os tipos de bebidas as esperavam.

Francis viu aqueles barris repletos de álcool e jurava a si mesmo que hoje Lena se divertiria, que hoje ela se divertiria. Que nesta noite ela estava permitida a ser Francesca e não a louca no qual todos caçoavam e falavam mal pelas costas, ou na frente mesmo. Ela encheu o copo vermelho até a borda para Lena e para ela o azul, sua cor preferida.

A noite havia sido longa.

Felipe no começo tinha repelido a ideia de “azarar” na festa, mas depois que viu sua ex com o depreciativo, ele só procurou saber de álcool, drogas e sexo. Lena, por um lado, estava no seu quinto copo de vodca, sentada no sofá vendo um casal dando uns amassos.


[Scott, o antigo amor de Lena]

Ela realmente era careta e não gostava de casais que demonstravam suas afeições em público e lembrava-se de quando namorava Scott e ele queria dar uns amassos com ela no metrô. E isso era apenas um item na sua lista de “porque dar amassos em públicos era ridículo e enojado”, mas isso na verdade era só uma forma de mascarar a raiva e a falta que sentia de Scott.

Lena e Scott eram felizes. Scott era o primeiro amor de Lena, e ela sabia que era o primeiro amor de Scott. Haviam se conhecido no parquinho velho do colégio onde ambos estudavam desde que se lembram por gente. Ela se lembrava de cada detalhe, de como pediu para o pequeno Scott que estava empacado no escorregador a deixar descer e, lembra-se também, de como ele disse não, e de como o odiou tanto por tê-la feita chorar. Mas se lembra de como ele pediu desculpas e de como ambos passaram a pertencer um ao mundo do outro.

O tempo entre eles tinha se tornado inimigo e também havia a feito fazer esforço para não apagar o tempo que passou junto ao Scott, o precioso tempo que Lena jamais quer se esquecer.

Scott foi embora assim que eles completaram cinco anos de namoro dos sete anos que foram amigos. Seus pais se mudariam para Atlanta e Lena compreendia que era longe o suficiente de Melbourne, onde moravam, para se encontrarem todos os dias de madrugada, escondido dos pais para se amarem.

No começo, o namoro a distancia parecia ser uma boa ideia. Tinham combinado que, se possível, falariam, pelo menos, uma vez por semana, manteriam contato através do Skype e escreveriam cartas de amor uma por mês. Deu certo. Mas depois Lena não se lembrava mais do cheiro do Scott, seu perfume não estava mais em seu travesseiro e nem sua voz mais ecoava em sua mente. O amor entre eles ainda era grande, mas Scott era homem, tinha necessidade de ter relações sexuais e sentia falta disso. Isso aconteceu, Scott, por mais que amasse Lena, sabia que não a veria mais e sabia que ela logo o esqueceria. Terminou tudo com ela por Skype e desativou sua conta. Isso aconteceu, Scott não era mais de Lena, era só mais uma lembrança antiga como seu primeiro cachorro.


[Felipe e Lena, finalmente, conversam]

Lena tentou logo repelir esses pensamentos com mais vodca e, pela primeira vez, reparou em Felipe, com outros olhos. Não o Felipe desprezível e popular que namorava a estrela da escola, mas o Felipe desprezível que estava beijando todas as garotas que estavam demonstrando interesse. Ela riu de como as pessoas poderiam piorar.

Depois de Francesca estar com a boca presa na boca do melhor amigo de Felipe, Lena definiu que a noite para ela já tinha chego ao fim. E foi para fora tomar um ar, já que sua carona estava ocupada com a boca presa em algum lugar.

Felipe também, por acaso, pensou o mesmo e foi tomar um ar. E foi aí que Felipe e Lena se conheceram.

Ela estava sentada a beira da piscina, reparando na quão suja aquela água estava e mesmo assim estava desejando mergulhar naquela imundice e pensar. Lena gosta de pensar enquanto está imersa.

E Felipe havia saído para fumar e esclarecer um pouco seus pensamentos. Por mais que estivesse fora de si, seus sentimentos pela ex estavam o chamando de babaca e deixando bem claro que ser o garanhão da festa não amenizaria suas dores. E ele viu Lena. E lembrou-se de Lena, a garota esquisita que faz o que quer sem se importar com os outros, passa a maior parte do tempo lendo embaixo de uma árvore e tem só uma amiga.

“Oi, Lena. Lena certo?”, ele sabia que era Lena, a garota estranha da sua aula de química.

“Certo. Oi.”, Lena riu por dentro, por um momento ela estava o chamando de ridículo e por outro ele estava ali do lado dela.

“O que está fazendo aqui fora? A festa tá rolando lá dentro”.

“Bem, acho que a festa já deu pra mim.”, ele sorriu.

“Pois é, acho que para mim também.”, e Lena riu.

“Não parecia, acho que você é a prova de que a diversão tem limite”, e ele sorriu, mas dessa vez pegou mais um cigarro e ofereceu para Lena que recusou com um “não fumo”.

A noite tinha sido longa. Para Felipe e Lena tinha sido divertido. Eles puderam conversar sobre tudo que um dia pensaram que jamais conversariam. Contaram sobre suas bandas preferidas e se surpreenderam quando ambos gostavam de bandas parecidas. Um era igual ao outro, mas de mundos opostos. E assim passou o tempo importante, que só desta vez havia sido amigo, no qual deixaram Felipe com uma noite boa, mesmo tendo terminado com uma loira, afinal. E deixaram Lena grilada com seus sentimentos que só se afloraram assim por Scott. E Lena sabia que Felipe era problema.

sábado, 14 de novembro de 2015

Degausser

Sinto-me que estou presa em paredões com uma opção de ida (sem volta) e, justamente essa, não é muito boa. Tá difícil suportar a claustrofobia que esses paredões estão me fazendo respirar fundo. E, como em Jogos Mortais, parece que eles se fecharão e eu, entre eles, morrerei esmagada (ou, caso contrário, me sufocarei).

Perdi minha fé. Na vida. Nas pessoas. No mundo. No amor. Na paz. Todo dia deparo-me entre essas duas paredes e vejo tudo afora desmoronando. Pessoas matando as outras. Gente passando fome. Mulheres em guerra pelos seus direitos. Luta contra o racismo (que inacreditavelmente ainda existe). É tanta coisa acontecendo lá fora e, ao mesmo tempo, tanta coisa acontecendo aqui dentro - que me sinto egoísta em estar pensando no meu bem estar quando o mundo tá se esgotando.

Não tá fácil. Eu não sei se me preocupo com o alheio (cujo é impossível não se preocupar) ou se me preocupo com a confusão que está sendo minha vida. Eu estou tentando me preocupar com os dois, porquê, de uma forma, o mundo me pertence também.

Eu só estou cansada de tanta guerra, de tanta luta de ego, de ser humano escroto decidindo quem vive e quem morre, de tantas coisas absurdas que não deveriam estar acontecendo. Poderia tudo ser tão simples, pra que complicar? Poderia estarmos todos buscando a paz e não em luta na guerra. Não tá certo.

Não tô bem. Sinto que qualquer dia meu paredão vai fechar sim. É tanta coisa para o pouco nada que eu suporto. Minha família tá me enlouquecendo. Meus sentimentos estão me enlouquecendo. O mundo tá me enlouquecendo. O mundo tá acabando e, ao contrário da Natasha, não quero dançar, só quero ficar sozinha e longe de tudo. Desmoronar-me solitariamente no meu canto quieta.

Ainda tenho esperanças de que as coisas podem ficar bem. Só queria que no meio de tudo isso tivesse um caminho alternativo entre os paredões, para que, eu, pudesse respirar e me sentir calma. Pacificada.

E, qual a finalidade de tudo isso? Para quê?

sábado, 31 de outubro de 2015

Pensamentos diários com conclusões futuras.

Na madrugada as teclas soavam altas e poéticas em meio a tanta tristeza. Olhos pesados. Os pensamentos se misturavam a cabeça da mesma forma que a água se mistura com o óleo. Corpo pesado e a única certeza - se é que ela estava concretizada - era o desejo de morrer. Um mundo se abria e outro se fechava, respectivamente, o da esperança e o da eterna solidão. O piano ia destrancando as portas e a voz da canção não cansava de descrever a situação. Todo o sentimento era drenado com a mesma velocidade que a morte drena a vida e depois, recolocado com a mesma velocidade da queda livre de um paraquedas, que caí monotonamente em direção á uma morte que jamais acontecerá. Tanto tempo se passou, já é o último dia de Outubro. Desço por cordas trançadas por seres que habitam meu inconsciente e celebro junto deles a impaciência. Rituais em volta da minha alma introduzem tempos e espaços, para que eu me perca cada vez mais. As horas estão passando. 1 segundo. 2 segundos, 3 segundos. Caminhamos em direção da morte. A vida é longa. Não para aqueles que possuem a incógnita que move o mundo. O relevo a minha frente me lembra que tudo está em contínua transformação. Ficarei no aguardo da criação de palavras para terminar esse trecho. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Dedico ao Futuro.

Luzes psicodélicas. Livraria. Boteco de esquina. Supermercado. Tinder. Cabelo loiro, preto, marrom, colorido. Liso. Crespo. Ondulado. Não definido. Negro. Branco. Oriental. Todas as etnias. Olhos profundos. Vivemos a parte mais linda de nossas vidas juntos. Cantarolo sua canção preferida. Penso em terminar durante todas as brigas que tivemos. Sua risada me faz querer viver eternamente. Você é meu neném. Ridículo, sei, mas é. Seu corpo. Sua alma. Você em completo. Tudo forma o conjunto mais celestial que eu poderia ver. Não sei como definir nossa relação. Fugimos a noite dos males desse planeta e conquistamos as terras mais altas. Escalamos o Kilimanjaro e rimos nas ruas de Bangkok. Colocamos um cadeado nas grades de Paris para selar o nosso amor e ficamos de porre na Itália. Gritei seu nome no cemitério para que a terra entenda que você será sempre meu e nunca dela. Nossa relação é como saltar de um penhasco direto pro mar. Não quero nunca olhar para trás. Não quero nunca parar de escrever esse pequeno parágrafo cheio de pontos. Te amo eternamente. Você é minha salvação. Te espero entre os minutos da vida. Apareça. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Como poderia eu morrer ?

          Minhas mãos estão atadas a tristeza. Meu coração - esse que por muito pouco ainda consegue ver motivos para viver - é pesado demais para ser carregado. Eu grito, mas sou sufocado pela onda invisível que me atinge todas as horas. Opening Philip Glaas!! Open minha mente que está tão confusa com a vida. Talvez o por do sol consiga tirar essa tristeza. Talvez você lendo me ache dramático. Sou ultra sentimental sim. Mas a vida perdeu sua razão. Vejo um futuro brilhante talvez. Mas seria bom um futuro sem você ? Meu amor? Quero me render a morte. Grito a Deus palavras de ódio e peço para que acabe com minha vida. Impossibilitado de viver. Impossibilitado de morrer. Como eu poderia morrer se fiz tantos laços aqui ? Eu sei. Sou inútil e frustrado. Mas sei que minha existência faz diferença na vida de determinadas pessoas. Queria eu não ter conhecido essas. A morte seria muito mais fácil de lidar. Minha cabeça dói. Talvez os pensamentos ruins estejam se reproduzindo. Ou. Talvez. A. Morte. Esteja. Chegando. 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Silenciada

Concentro-me aos poucos na minha respiração e presto atenção nas palpitações que sinto em meus dedos dormentes e o barulho surdo das batidas do meu coração.
Estava concentrada demais para perceber que na verdade eu não parava de tentar controlar meus pensamentos ou, pelo menos, o que eu sentia que eu mesma conseguia distingui-las. Não era o tipo de coisa que eu podia denominar a cor, o cheiro e nem mesmo o nome - por mais que sempre tenha um nome.
Eu só passava meus dias melancólicos procurando por respostas, por uma saída fácil, segura e eficiente. O tipo de saída que resolveria tudo e toda aquela sensação de que alguma coisa me incomodava demais para eu permanecer em paz e encontrar meu espírito confortador.
Estava perturbada. Na verdade, estava confusa. Perdida entre dois amores. Dois caminhos. Duas histórias completamente diferente, mas que bem lá no fim cruzavam-se. Eu estava amando duas pessoas diferentes e eu não sabia qual deles escolher.
Eram duas estradas. Uma era tortuosa, confusa, dolorosa - onde estavam todas minhas decepções. Mas em contraste, mesmo tão degradante, me dava confiança, alegria. Fazia minhas mãos tremerem, causava uma ansiedade e sorrisos bobos. Ele me causava um bem que, talvez, ninguém entenda. Como algo tão mal, pode fazer tão bem? Já me disseram que eu sentia tudo isso por estar em efeito do amor.
Já o outro, tão jovial em meu coração me causava segurança. Eu sentia que ele era meu porto seguro. Que se eu seguisse por/ com ele, jamais me decepcionaria, tanto quanto o outro me decepcionou. Ele era gentil, suas palavras soam como elogios e elas deixavam-me alegres. Porém esse não tinha iniciativa o suficiente para que eu pudesse esquecer do antigo - um tanto atual.
Eu achava que no meu coração tinha lugar só pra uma, até descobrir que ele está dividido. Não sei qual escolha tomar, qual seria a certa (mesmo parecendo óbvio) e qual deles trariam minha felicidade. O amor é tão engraçado que conduziu-me para um caminho inexistente, que entre os dois, sempre esteve lá e agora não sei dizer se estou feliz. Eu estou, na verdade, confusa. Porém, vivendo.

domingo, 21 de junho de 2015

Faz tempo que eu não escrevo.


Faz tempo que eu não escrevo, essa arte de sair formando grupo de palavras tentando traduzir os meus sentimentos esta cada vez menos sendo usada por mim. Olhando da janela do ônibus as nuvens no céu algo no meu interior tenta sair e não há como dominá-lo
Que tristeza!
Que desânimo! 
Alterando a frase dos que se dizem felizes; desânimo por estar vivo. 
Eu amo romantizar a tristeza, acho poético. Mas tristeza cansa, suga sua alma.  Faz as profundezas deixarem de ser profundas e, quando você se dá conta do motivo pelo quais elas estão tão rasas, se toca que você se tornou ela mesma. Tristeza faz seus olhos ficarem cansados e tristonhos, faz sua mente se chocar com a terra e acabar com toda a vida existente nela ( risos). Tristeza frustra suas tentativas de ser feliz, mas não há como fugir dela. 
Talvez a única coisa boa desse sentimento é ver o mundo mais poético que a maioria da humanidade. É ver a linda coreografia das folhas ou o enquadramento de uma perfeita paisagem em seus olhos. Ou ainda, sentir puramente a felicidade quando ela dá as caras, ah, sim, isso é uma certeza! Sentimento que clamava por liberdade, conseguiu o que queria?